A outra abstnência  escrito em sexta 04 dezembro 2009 15:16

A outra abstinência

Então eram dias que o medo – o grande medo – tomava um modo todo diferente: o medo de saber que não sabe. Era um tal desespero aquele que vinha – vinha de onde? era um tal desespero em saber, em sentir, um desespero de fazer parte - parte de que? Eram dias de abstinência aqueles: comia demais, bebia demais, fumava demais, não se dormia - gastava-se.       Como reconstruir um eu todo em fragmento? A palavra sentido agora soa quase como uma ofensa. Porque foi isso o que foi buscar – mas equivoca-se? É o muro ou é o onde? O onde?  Duas ou três possibilidades, mas largou tudo, feriu sem piedade porque tinha o desespero – desespero? o mesmo de agora? É que não sabe mais chorar. Perdeu como é precisar e precisa: como quem tem sede.

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Um saber sequer  escrito em sexta 04 dezembro 2009 15:14

Sequer um saber

Sequer sei até onde fui com minha construção de um Eu – e de mim. Nestes dias de medo, nestes dias é que vou saber? De saber, soube outras vezes, mas que fiz eu do que sabia? Eu não fiz. Eu não fiz e perdi o plano da construção de mim. É que eu vivia sob um plano - e eu ia construindo. Esse plano, não sei exatamente quando, eu perdi. Eu perdi o plano. Eu fugi ao próprio controle? Fugi ao próprio controle. Que fiz eu da fuga quando antes precisara fugir? Antes – antes do descontrole destes dias. Que farei eu ao saber da falta de um controle? eu que era habituado a controlar. Essa falta que se torna em excesso. Um excesso? Porque meu descontrole é meu controle em excesso. E que farei eu do que disser? Porque antes eu também perdera o plano e antes eu também dissera. Dissera o que? Eu disse alguma coisa como: sequer sei até onde fui com minha construção – mas é que então eu não chamara de construção. Eu não chamara de construção. Eu não sabia então o que era? Eu não sabia o que era. Mas hoje eu sei e não sei o que fazer do que sei.  Não sei ou tenho medo de saber?

É que sei, mas prefiro não saber que sei ainda.

Eu prefiro não saber ainda.

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A maça fora do escuro  escrito em sexta 27 novembro 2009 15:59

Blog de poetabohemio :'Perder-se também é caminho' Clarice Lispector, A maça fora do escuro

 

A Maçã fora do escuro

 Então me pediram com insistência “fale sobre isso”: eu não soube. Houve longa pausa. Procurava-se algo mas algo estava já longe ou já se havia perdido. Foi preciso enfiar a mão e logo o braço, perceber algo com os dedos, mexer, e só eu devia saber o que era, no meio de muita coisa dentro, não, não era um aquário, havia que entrar com medo e que o medo se deixasse fora do escuro e no escuro mesmo só eu devia saber. Fora, a longa pausa, a hipótese, o exame de toque, quer-se com fome, segue ardendo, ainda.

 

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*  escrito em sábado 27 dezembro 2008 14:48

*

NÃO VOU FICAR MAIS SOZINHO
ATRAVESSANDO HOJE AS PAREDES
DE MIM. VOU ANDAR PELAS RUAS,
NÃO VOU INDO EM QUALQUER DIREÇÃO
EU VOU, VOU INDO, E NÃO SEI ONDE...

ONDE? O ONDE É MINHA DIREÇÃO.


(Junior, poeta bohemio)

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HOJE  escrito em sábado 27 dezembro 2008 14:46

Hoje

a volta
de dentro
de mim

Junior, poeta bohemio

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