A outra abstinência
Então eram dias que o medo – o grande medo – tomava um modo todo diferente: o medo de saber que não sabe. Era um tal desespero aquele que vinha – vinha de onde? era um tal desespero em saber, em sentir, um desespero de fazer parte - parte de que? Eram dias de abstinência aqueles: comia demais, bebia demais, fumava demais, não se dormia - gastava-se. Como reconstruir um eu todo em fragmento? A palavra sentido agora soa quase como uma ofensa. Porque foi isso o que foi buscar – mas equivoca-se? É o muro ou é o onde? O onde? Duas ou três possibilidades, mas largou tudo, feriu sem piedade porque tinha o desespero – desespero? o mesmo de agora? É que não sabe mais chorar. Perdeu como é precisar e precisa: como quem tem sede.




